Relatório do Seminário - Seminário Ah! Então sou feminista, Estado laico, intolerância religiosa e o direito das mulheres- 2015

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Relatório do Seminário - Seminário Ah! Então sou feminista, Estado laico, intolerância religiosa e o direito das mulheres- 2015

Mensagem  gatos de satanás em Sab Set 03, 2016 10:40 pm

DATA: 11/07/2015

Ei, manas! A Carol e eu fomos no seminário "Seminário Ah! Então sou feminista, Estado laico, intolerância religiosa e o direito das mulheres.", organizado pela Rede Feminista de Saúde e pelas Católicas pelo Direito de Decidir, em parceria com o Movimento Graal no Brasil.

Vou tentar registrar os desdobramentos da nossa participação, e peço pra Carol completar com o que ficar faltando.

O seminário se dividiu em 2 dias, sexta e sábado. Na sexta, teve apenas uma mesa à noite, e sábado foi o dia inteiro, com almoço e tudo mais. Chegamos lá na sexta achando que íamos atrasar, nem tinha começado ainda, ficamos conversando com a Dirlene. Falamos bastante sobre a Caminhada Lésbica, a Dani tinha repassado pra Rede como foi o processo lá, todas as dificuldades e ataques, então ela já estava ciente. A impressão que ficou desde esse início de conversa, que se estenderia até o fim do seminário, é que a Rede Feminista de Saúde, embora ainda não tenha se posicionado sobre questões trans (no sentido de tira posicionamento mesmo, de dizer 'isso a gente concorda', 'aquela outra pauta a gente não concorda e não vai apoiar politicamente'), está prestes a fazê-lo, e quer muito discutir os assuntos. Considerando que é justamente a falta de discussão (discutir é opressivo, como vocês bem sabem, especialmente se discutirmos sem homens que se identificam como mulheres nos supervisionando) que está fazendo o movimento feminista comprar TODAS as pautas trans acriticamente, a atitude da Rede pode puxar uma mudança importante no feminismo pelo menos em BH.

Depois de conversar um pouco com a Dirlene (não lembro o conteúdo dessa parte da conversa, ajuda, Carol!), quando mais gente foi chegando, a gente perguntou se tinha um espaço ali dentro em que a gente podia montar a banquinha de zines da GARRa Feminista, ela foi bem receptiva e falou pra gente montar ali perto da mesinha que tinha o livro de assinaturas das participantes. A gente tava com um cetim liliás, eu tinha levado um tantinho (uns 3 de cada) dos zines que ainda tínhamos, imprimi tb alguns dos das Manas Chicas de Introdução ao Feminismo Radical, e levei um tanto de panfletos da MdV da GARRa e do 8 de Março Unificado.

As palestras começaram, teve as falas que estavam na programação (a diretora nacional da Rede não foi, por problemas de Saúde). A Dirlene muito fofa começou a fala dela falando da gente, e da nossa banquinha, divulgando e falando pras mulheres que podia pegar, não precisava pagar, mas que era legal uma doação. E toda vez que ela falava a palavra 'garra' dava um sorrisinho, uma vez chegou a falar 'temos que ter garra, temos a GARRa Feminista que está ali...' e rir.

No geral as mulheres estavam bem felizes de ver feministas jovens organizadas, e foram bem receptivas com a gente nos 2 dias.

Aí chegou Cassilda. Depois das palestras, abriram para perguntas, o que abre tb pra intervenções do público que não são perguntas. Cassilda fez uma grande fala sobre não lembro mto bem o que, e começou a falar de trans, sobre incluir trans, sobre trans e acesso a "saúde" (hormonização desnecessária e mutilação genital, e a retirada do acompanhamento psicológico do acompanhamento, a tal "despatologização trans") e mais no fim fez um ataque mais direto, falou algo como "por que ficamos falando de chamar as mulheres, mas temos que ter cuidado com quem chamamos, por exemplo, tem ali o material daquele grupo, estão distribuindo material transfóbico, a gente não permitiria que fosse distribuído material racista, não deveríamos permitir que esse tipo de material fosse distribuído também) e seguiu falando as bobeiras de sempre.

Nessa hora a cara da maioria das mulheres foi de ? e a Dirlene deu um sorrisinho meio "uhum..., tá", e olhando pra gente sorrindo deixando bem claro que não tava incomodada com a gente. Tinha uma lista de inscrição pra falar, mas a Dirlene passou a fala pra gente direto depois da Cassilda. Eu inicialmente não ia responder (a Carol ia falar), mas ela fez aquela comparação com racismo, aí eu quis falar. Comecei falando que a gente buscava sempre unidade com outros movimentos e que a gente era sempre vítima desse tipo de postura sectária, mas não reproduzia aquilo, e que era importante buscarmos unidade e banir grupos com os quais discordamos só enfraquece o feminismo. Falei que era absurdo aquilo, que a gente sempre enfrenta esse tipo de crítica infundada, falei do 8 de março e que o texto que tá nos panfletos era nosso, junto com as outras companheiras, que falava de travestis e transexuais (fazer o que, né, gente), falei que o melhor que eu podia falar pras mulheres ali era pra elas pegarem o material e olharem por elas mesmas. Lerem. NESSA HORA OS ZINES COMEÇARAM A CIRCULAR E ACABOU TUDO QUE A GENTE TINHA LEVADO. Falei que comparar com racismo era muito ofensivo, uma mina branca usando racismo de argumento contra um coletivo fundado por uma negra, enfim. Os argumentos que cês sabem que eu sempre uso. Quando eu comecei a falar, a Cassilda me cortou e não ia deixar falar, começou a rir no meio da fala (ironizando) e falando no meio. Eu cortei, falei pra ela não me interromper, e falei que a gente tinha respeitado a fala dela mesmo sendo completamente fora da realidade, e todo mundo apoiou a gente, até as minas que estavam com ela falaram pra ela ficar quieta. Falei que o que ela tava fazendo era um chamado à censura. Nessa hora deu pra ver direitinho ela perdendo o apoio de todo mundo. Quando eu terminei de falar, a Carol falou tb, e no fim aplaudiram a gente mais do que tinham aplaudido ela no fim da fala dela (e quem aplaudiu ela aplaudiu a gente tb).

Ou seja: ela tentou banir a gente e censurar nosso material, terminou por divulgando muito a gente, se queimando e fazendo todo mundo que tinha passado pela banquinha e não olhado duas vezes lesse pelo menos alguma coisa de feminismo radical. E visse que não tinha nada de discurso de ódio.

Acho que foi na conversa inicial com a Dirlene que surgiu a deia de fazer um evento ali no mesmo lugar pra discutir a questão trans, e convidar a gente como debatedoras. Depois da fala da Cassilda a Dirlene falou tb, falou da necessidade de discutirmos isso e falou e nós vamos fazer o evento (Rede + Católicas + Graal + GARRa Feminista).

No outro dia ela tava lá também, a parte da manhã foram mais palestras, a Neusinha, tb da Rede Feminista, e lésbica, tava lá. A Carol e eu atrasamos um pouquinho e perdemos a fala dela, mas conversamos bastante com ela depois. A Cassilda não falou mais nada, ficou quietinha na dela, até quase o final do segundo dia.

No almoço, veio uma professora da enfermagem da UFMG falar com a gente, perguntar, ela disse que tinha olhado o material, ouviu bastante a gente falar sobre o nosso conceito de gênero e a nossa visão de feminismo, foi bem massa. Aí no fim ela falou que a filha dela é feminista radical, e que acabou de entrar pra FARJ (federação anarquista do RJ), passei meio email e falei que poderia por ela em contato com as feministas radicais do rio (ela até hoje não mandou email, mas é normal isso, as pessoas raramente mandam mesmo Sad ).

Mais perto do fim, depois da tarde (onde teve a plenária final pra tirar posicionamentos, pautas pros conselhos da mulher e da saúde, que era o propósito do seminário), foi ter as falas de encerramento e a Cassilda voltou a falar de trans falando que ninguém tinha falado das trans, e que o hospital das clínicas tinha uma espera de 1 ano pra marcar consulta pra cirurgia, e que tavam sem hormonização. A Neusinha encerrou a discussão falando 'então é pra por como pauta, né? coloca aí ambulatório trans em BH). A Cassilda sempre fala em acusação, ela participou do seminário todo e poderia ter colocado aquela pauta a qualquer momento, preferiu ficar quieta e depois acusar todo mundo por não ter colocado. Aí a Dirlene falou de novo, e sobre a "polêmica" de ontem falou que precisamos continuar discutindo essa questão, e que por isso vamos fazer o evento. Aí a Cassilda meio que cortou ela pra falar que precisava chamar as trans. A Dirlene: claro, claro... E a Cassilda cortou de novo pra dizer que não podiam chamar essa discussão sem chamar as trans, por que as trans isso, as trans aquilo, e a Dirlene cortou assim: "Sinceramente, isso que você está falando não importa. Cada movimento que chame quem quiser, chama as trans, mas isso não importa. Agora isso não importa. A gente só tá tirando de fazer o evento.". Aí a Neusinha, que até então não tinha falado nada sobre isso, entrou na conversa. Falou calmamente: Olha, Cassilda, isso que ce tá falando, na verdade não tem nenhum problema a gente reunir entre a gente, sem trans, por que o que nós queremos discutir é a relação entre feminismo e trans. O que queremos é discutir as coisas e tirar posicionamentos" A Cassilda falou alguma coisa tipo "claro, blablabla" meio que fingindo que não tinha falado exatamente o contrário antes.

A outra parte que eu acho importante dizer foram as conversas no lanche depois do encerramento. Ficamos conversando bastante com a Neusinha e a Dirlene, e falamos de muita coisa. Do michifest, do Só as Manas, inclusive da ameaça de bomba, e elas nos levando muito a sério, comentando, em vez de ficar só ouvindo como quem desconfia do que estamos falando, como fazem tantas vezes. Falaram que as pautas tão passando sem discussão, e que isso é um problema sério (as pautas trans), e que tem umas coisas muito complicadas. A Neusinha contou que tava numa conferência e tinha uma trans no banheiro, e ouviu um 'ECA!!!1' e foi ver o que era: aí a trans: um papel sujo de sangue! E como a Neusinha achava isso um absurdo, e falou que não concordava com banheiros serem juntos não. Fiquei de mandar pra elas textos sobre saúde e trans e transformações que têm ocorrido por causa dessa "inclusão" sem discussão. A Dirlene falou pra Neusinha que ela devia ir nas reuniões da Caminhada, pra dar um reforço (ela falou que ia tentar sair a tempo de onde ia estar antes. acabou não indo na reunião, que foi a de segunda passada).

E foi isso. O Seminário foi muito importante pra gente, foi um primeiro momento em que fomos diretamente atacadas e não só não colou como saímos com mais apoio, e as queer mais enfraquecidas. A Neusinha e a Dirlene pensaram na proposta de fazermos um evento que dure o dia todo, e na manhã chamamos trans e quem quiser ir, e à tarde reunimos só a gente, sem trans, pra tirar posicionamentos.

Isso é muito importante! A Rede é uma entidade de alcance nacional, e Minas é um núcleo importante da Rede. Se a Rede em Minas se posiciona, isso abre caminho pra Rede Nacional se posicionar, e começar a questionar certas coisas no Brasil inteiro. E isso pode forçar outras entidades a se posicionar também. Só de elas se posicionarem no sentido de DISCUTIR as coisas já vai ser uma mudança fundamental, por que a gente sabe que quando os argumentos são postos e as pautas são discutidas, e não coagidas sobre o feminismo, muito de queer não passa.

Sobre esse seminário, só temos a comemorar!
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