Ato 8 de Março de 2015

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Ato 8 de Março de 2015

Mensagem  gatos de satanás em Sab Set 03, 2016 10:42 pm

Avaliação Ariane:

A construção do ato unificado tava com um clima bem tranquilo nas reuniões que eu fui. Imagino que a saída da MMM tenha contribuído bastante pra isso, o que me surpreendeu foi a presença da GARRa Feminista não atrapalhar. Eu só fui pras reuniões um pouco depois, então não sei como foi a recepção num primeiro momento, mas nas reuniões que fui, notei as mulheres bem receptivas à garra, e uma grande convergência política em relação às pautas. As mulheres do PSOL que foram à reunião não falaram nada o PL Gabriela Leite, nem se opuseram a dizermos que prostituição é violência contra as mulheres. PL João Nery nem foi mencionado. Quando propusemos pornografia estar no material, passou por consenso sem grandes comoções - nem passava pela cabeça das mulheres ali que parte do movimento feminista tem defendido prostituição, aliás, o que é tanto um alívio (na parte em que elas são anti-pornografia, apesar de não estudarem muito sobre isso e nem falarem muito) quanto um problema grave (na parte em que elas não sabem muito bem pra que rumo a juventude feminista tá indo). Já quanto ao pensamento político que baseia as pautas, não tem muita convergência (mas nessa construção isso não foi um grande entrave). A maioria das mulheres ali não parece ter uma leitura feminista da opressão das mulheres, ou no máximo uma leitura feminista socialista... se é que podemos colocar dessa forma. E acho que esse foi o motivo de termos um eixo tão pouco focado, e também que fala de violência mas não discute de onde vem essa violência. Pelo que pude notar, todas as entidades ali - não sei a rede feminista de saúde, mas tô colocando junto com o MML por proximidade política das organizações - falam apenas em opressão da mulher, e a explicam falando sobre machismo, ideologia machista e superestrutura. Quando dizem 'exploração da mulher', elas se refere à exploração capitalista. Por isso o termo 'mulher trabalhadora' (que inclui só as mulheres engajadas no trabalho produtivo, pago, masculino e exclui as mulheres que realizam trabalho reprodutivo não pago). Nenhuma outra organização tem o entendimento de mulher como uma classe.

A minha análise quanto a política é que dá pra trabalhar sim com essas mulheres no futuro, mas temos que saber muito bem como conduzir. Apesar de ligadas aos seus partidos, o 8, ao contrário da Caminhada Lésbica, elas trabalharam de verdade para construir, e não só foram pra tentar direcionar a política e cooptar o ato completamente (apesar que não sobrava muito pra cooptar, com o 8 rachado polarizou entre MMM e MML, e a MMM rachou internamente em BH, o ato fortalecido tava sendo conduzido por elas mesmo). A GARRa Feminista não é mais tratada como ~aquelas minas transfóbicas~, a gente tá sendo tratada como um coletivo feminista, inclusive pela juventude do PSTU (!!!). Isso significa poder nas futuras articulações, por que as discordâncias políticas conosco vão ter que ser colocadas de maneira honesta e respeitosa, sob o risco de perder o apoio de outras organizações que tem visto a GARRa trabalhar duro e tem reconhecido nosso trabalho, como a Rede Feminista de Saúde.

Quanto à MMM: não tive energia pra ir nas coisas que elas fizeram. Queria muito ter ido, pra não passar a impressão de que nós escolhemos o MML em vez da MMM ou algo assim. Mas acho que a nossa proximidade na UFMG nas articulações contra o Zumpano - que o PSTU meio que boicotou - resolve isso. Acho que temos que pensar num plano de ação pra que esses encontros feministas permanentes que queremos criar não sejam Os Encontros do MML, tanto pelo bem do feminismo na cidade, quanto da nossa grupa - nós sabemos que trabalhar duro pra indiretamente construir o PSTU e aumentar a influência do partido no feminismo da cidade não avança em nada nem o feminismo nem a GARRa Feminista.

Sobre as coisas práticas: na minha opinião, precisávamos de um eixo menos vago. Uma coisa só, e trabalhar em cima dela. E nesse ano acho que deveria ter sido aborto. Acho um erro estratégico muito grande tentar fazer uma ação política contra tudo ao mesmo tempo, e acho que o impacto político desse tipo de estratégia no melhor dos casos consegue desgastar um pouquinho o governo, e a coisa não é bem por aí. Acho que no futuro, se tivermos condições, devemos pressionar para um eixo mais combativo, mais direto, mais concreto, algo que não desvie a luta feminista para a luta anti-PT que o PSTU faz.

A comunicação também foi falha: não teve panfletagens organizadas, o mosquitinho saiu junto com o material pro ato... precisamos organizar melhor a comunicação, fazer panfletagens, pegar o megafone e ir pra lugares movimentados e chamar as mulheres mesmo. Pensar em estratégias criativas de engajar mulheres com a luta - que aliás, vai pra muito além do ato. A chuva atrapalhou demais pra gente poder analisar quem iria nesse ato, mas eu acho que foi um ato nada popular. Foram quase que só militantes organizadas.

Também tenho críticas quanto à forma como levaram as ocupações urbanas para o ato: elas chegaram só no ato, não construíram politicamente nada, serviram de massa pra aumentar o ato mesmo. Homens foram trazidos também. E as pessoas chegaram aqui muito cedo, de acordo com o que eu fiquei sabendo, muito antes do ato... achei desrespeitoso com as mulheres das ocupações, acho que tem que haver um trabalho feminista permanente lá, bem como o convite pras lideranças - que são mulheres, em sua maioria - construírem o 8 conjuntamente.

Precisamos agora pensar muito bem no formato desse encontro feminista permanente na cidade, e nesses debates de formação, a começar pelo anti-prostituição.

Abraços a todas!
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Re: Ato 8 de Março de 2015

Mensagem  gatos de satanás em Sab Set 03, 2016 10:43 pm

Avaliação Fabíola:
Minhas Impressões sobre a construção e o ato:

Fui no que acredito ter sido 3 ou 4 reunião. Os eixos já aviam sido definidos e discutidos. Quando compareci haviam poucas mulheres e organizações, PSTU, anel, juntos, psol, sindrede, e outros sindicatos que não lembro além da rede feminista de saúde. Aparentemente segundo a Thaís, na reunião anterior tiveram mais mulheres. Então houve esvaziamento da construção, o que houve é que muitas organizações tiveram seu nome divulgado e legitimado e não fizeram porra nenhuma ou nem apareceram para o ato.

A construção em si foi tranquila, e benéfica para a GARRa, dos grupos jovens, A GARRa é a que mais tinha bagagem pra discussão e para fazer o ato. Ganhamos o apoio da Dirlene da rede feminista que acredito é muito importante. O pstu estava diferente conosco positivamente. Mas acredito que possa ser por causa de nossa presença que ajuda na "validação" do movimento "unificado" deles.

Por causa de nossas contribuições nos delegaram a intervenção na praça 7 que acho que foi um marco de confiança no nosso trabalho, afinal é o ponto central da cidade.
Por cauda da posição que a Ariane colocou em relação a pornografia a Dirlene quer fazer uma roda de conversa sobre o assunto. Aliás estivemos tão acostumadas em meios liberais onde a pornografia é algo "empoderador" que nos assustamos com feministas que realmente tem a visão realista dos fatos.
Fica o aprendizado, sempre colocar nossas pautas, por mais que possam dar "problemas". rs

A contribuição da Ariane e Thais no panfleto foram essenciais, e os erros que houveram foram da organização em geral. Não ter feito um chamado geral e distribuído pela cidade foi uma das causas do pouco numero de mulheres presentes. a divulgação ficou muito aquém.

A impressão que fiquei é que o ato foi feito, pela "obrigatoriedade" de se fazer o ato. E então o pstu queria apenas algo para validação de sua posição na cidade. Percebo um certo desgaste na construção desses ato por esses partidos e sindicatos.

O ato em si foi muito pequeno com novamente o maracatu do pstu tomando conta. O pstu dominou como semrpe, mas tbm a chuva realmente estragou tudo, mas a caminhada seria com poucas pessoas. inclusive poucas feministas conhecidas nossas. não vi nenhuma daquelas carinhas que costumávamos a ver. Será que aconteceu algo que não sabemos?

as falas muito típicas de sindicalismos, discursos continuam os mesmo e ficou aquela redoma estranha dentro da matriz que quem passava por fora não entendia nada, só quando lia as faixas e olhe lá.

acho que em questão de ato, mesmo o pstu tendo mais "aparato", há ainda aquele protocolo deles que fica impossível dialogar com as pessoas fora...

sinto como o 8 de março estivesse morrendo, e de cansaço. as feministas novas estão preocupada com outras coisas, tipo marcha das vadias, e não querem adentrar nesse grupo já existente de feministas mais velhas. Aliás acredito que não houve problemas como no rio e sp por causa desses esvaziamento.
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Re: Ato 8 de Março de 2015

Mensagem  gatos de satanás em Sab Set 03, 2016 10:43 pm

Avaliação Thaís:

Gente, demorei porque tá bem apertado esses dias. Mas seguem algumas impressões além das que foram colocadas por vocês (reforço o que vocês colocaram).

PONTOS POSITIVOS DA CONSTRUÇÃO DO 8 UNIFICADO: Publicidade das chamadas, discussões mais profundas e políticas e abertas a opiniões divergentes nas primeiras reuniões, nossa (garra) evolução na relação com as mulheres de outras organizações, inclusão de temas como pornografia e prostituição no panfleto.

PONTOS NEGATIVOS: muita prevalência do PSTU (gerindo as reuniões, só eles "participaram" das comissões além da gente, no ato só tinha gente deles praticamente. Criticar o governo voltando a crítica para a Dilma. Violência como algo em si mesmo e não aliado à algo político mais profundo.
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Re: Ato 8 de Março de 2015

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